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Nova renascença ou fim da picada? – Marcelo Tas

Cada vez mais, nossas relações são mediadas por ferramentas digitais: a política, a educação, as relações sociais e amorosas, os negócios… o mundo vive cada vez mais on-line, trocando informação numa rede em tempo real. Somos a geração que testemunha e é cobaia de uma importante transição tecnológica: do analógico para o digital. É um tempo de aceleração de velocidade e variedade na publicação das informações e do conhecimento compartilhado, onde cada um pode ser o autor de sua obra fictícia ou não. Como confiar e conviver no caldo cultural gerado por tantas possibilidades e ruídos? Quais os nós dramáticos desta história? Estamos diante de uma nova renascença ou diante do fim da picada?Com Marcelo Tas.Palestra do módulo Mundo virtual: relações humanas, demasiado humanas, de Marcelo Tas.

Gravada no dia 6 de agosto de 2010 em Campinas.

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5 comentários sobre “Nova renascença ou fim da picada? – Marcelo Tas”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Tália and Luana Serra, Luana Serra. Luana Serra said: Aula de história da arte, comunicação e sociedade em: Nova renascença ou fim da picada? – por @marcelotas » CPFL Cultura http://goo.gl/8mzx [...]

  2. Braz Cheiak disse:

    JORGE MAUTNER – O TRAPÉZIO ANTES DO SALTO
    Braz Chediak

    Encontro-me com Jorge Mautner que, tendo acabado de ler mais uma dessas assombrosas descobertas científicas, me diz maravilhado: “Braz, somos a última geração dos mortais!”
    A princípio não dou muita importância à observação do poeta mas, por alguma razão obscura, sua frase fica em minha cabeça, pulando de um lado a outro – como naquele personagem de Machado de Assis -. Tento fugir dela: Tomo um cafezinho, como um sonho de padaria, olho as mulheres nuas na banca de revistas, as mulheres vestidas caminhando nas ruas, ouço os sons dos carros e das máquinas, como se fossem uma sinfonia concreta, e me distraio.
    Sou um homem livre, não me importo com a morte, penso enquanto caminho em direção a minha casa.
    Ledo engano. Mal entro na sala e a frase do Mautner volta com toda sua sonoridade inquietante. “Somos a última geração dos mortais!”
    O que aconteceria, se fôssemos imortais? Creio que a princípio sentiríamos alegria por saber que veríamos, para sempre, todas as transformações pelas quais passará o mundo. Mas e nós, como nos transformaremos?
    Sou de uma geração que conheceu a carta, o telegrama, o telefone, o celular, a internet. Ouvimos a marchinha, o samba, o jazz, o rock, a bossa-nova, o rap, o funk. Passamos por diversos regimes políticos, vimos o homem chegar à lua, vimos o circo, o teatro, o cinema, a TV. Vimos o vídeo, o DVD, etc., etc., mas em nenhum momento vimos a humanidade plena, onde a mais bonita das frases cristãs – amai-vos uns aos outros – se concretizasse.
    Por que? Porque o homem, “este bicho da terra, tão pequeno”, ainda não encontrou-se. Não soube aceitar a vida e a morte como elas são, afastou-se da essência e deixou-se dominar pela ganância. Dá mais valor a uma moeda de lata do que há um livro, a uma música, ao encanto do vôo de um pássaro ou ao cantar de um riacho, der um rio, do mar. O homem distanciou-se de seu centro, foi tomado pelo medo e se tornou incapaz de se exaltar – como o Mautner se exaltou – sabendo que outros viverão mais que ele, mais que nós.
    Henry Miller diz que “Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça dos artistas que, incitados por impulsos desconhecidos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção…” Mas a canção está se tornando cada vez mais triste: Desviamos o curso dos rios, fazemos nascer jardins nos desertos, criamos cloneis, transplantamos embriões, geramos crianças em ventres alugados, etc., etc., mas continuamos incapazes de impedirmos nossa própria destruição. Queimamos as florestas, ferimos a pele de nossa verdadeira mãe, a terra, poluímos todos os lugares por onde andamos, contaminamos as águas e o ar que respiramos.
    As “civilizações” foram criadas sobre cadáveres, a morte tornou-se um negócio rendoso. Matamos pelo petróleo, matamos por causa de um filete d’água, matamos para vender armas da morte.
    Mas alguns, como Jorge Mautner, são capazes de transformar a massa em pão, o vinho em canção e, generosamente, distribuí-los, como distribuem a poesia e a vida. São capazes de ver o mundo como um imenso milagre e, enquanto atravessam a fronteira e alcançam a geração dos imortais, espalham a beleza de um samba, de um rock, de um

    MARACATU ATÔMICO
    Nelson Jacobina e Jorge Mautner

    “O bico do beija-flor, beija a flor, beija a flor/E toda fauna e flora grita de amor/Quem segura o porta-estandarte/tem a arte, tem arte./E aqui passa com raça/eletrônico o maracatu/atômico/Manamaué aué aê/Manamaué aué aê/Manamaué aué aé/Manamauê auê aé/Atrás do arranha-céu tem o céu, tem o céu/E depois tem outro céu sem estrelas/Em cima do guarda-chuva tem a chuva, tem a chuva/Que tem gotas tão lindas que/até dá vontade de comê-las/Manamaué aué aé/Manamaué aué aé/Manamauê aué aé/Manamaué aué aé/No meio do couve-flor tem a flor, tem a flor/Que além de ser uma flor tem sabor/Dentro do porta-luvas tem a luva,
    tem a luva
    Que alguém de unhas negras
    e tão afiadas
    Esqueceu de por
    Manamaué aué aé
    Manamaué aué aé
    Manamaué aué aé
    Manamaué aué aé
    Aaaaé
    Maracatu atômico
    Aaaaé
    Maracatu atômico
    No fundo do pára-raio tem
    o raio, tem o raio
    Que caiu da nuvem negra do
    temporal
    Todo quadro-negro é todo
    negro é todo negro
    Eu escrevo seu nome nele só
    pra demonstrar
    O meu apego
    Manamaué aué aé
    Manamaué aué aé
    Manamaué aué aé
    Manamaué aué aé
    O bico do beijar flor, beija-flor,
    beijar flor
    E toda fauna flora gata de amor
    Quem segura o porta estandarte
    tem a arte, tem a arte
    E aqui passa com raça
    eletrônico o maracatu
    atômico
    Manamaué aué aé

    Carpe Diem

  3. Mariliz Vasconcellos disse:

    nossa, que texto mais lindo!
    Que grande reflexão sobre o homem, triste homem. Tão perdido em si mesmo, tão ignorante de tudo!

  4. Adam Costa disse:

    adorei a palestra da Martha Gabriel e certamente estarei acompanhando outras. Obrigado por esta oportunidade.

  5. HAROLDO CESAR FERNANDES disse:

    Muito boa esta palestra do Marcelo Tas,com um conteúdo aprofundadíssimo e ao mesmo tempo esclarecedor em vários aspectos.A maneira como ele conduz a dissertação sobre o assunto, com clareza e pautado em inserções históricas pertinentes ao tema,ainda com uma espiritualidade lúdica que afasta qualquer devaneio ao assunto ,torna muito mais produtiva a fixação as explicações.
    Parabéns ao café filosófico,a cpfl,a tv cultura e ao Marcelo Tas mais uma vez.

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