João Constâncio
Professor da Universidade Nova de Lisboa
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A ciência e a tecnologia passaram por um desenvolvimento fantástico. Para servir ao grande capital, até universidades publicas, mantidas com recursos do povo, deram a sua contribuição.
E o homem? como se deu o seu desenvolvimento? Se olharmos com atenção veremos que foi em uma marcha muito lenta. Continuamos bitolados pelos meios de comunicação. Encontramo-nos bem próximos da Caverna de Platão(2.500 anos atrás) quando escravos acorrentados eram manipulados por sombra projetadas por uma fogueira.
Se verificarmos a alienação em que nos encontramos, veremos que não há muita diferença.
Estamos, representados nessas quatro estrofes de um trabalho em cordel que fiz sobre O Mito da Caverna:
“Por que homens se recusam
De ter sua liberdade?…
Por que tanta reação
E ranços de crueldade?…
A reação sem constância
É fruto da ignorância
Em parte da humanidade.
A escola da caverna
Com suas sombras, então,
Preparou os seus escravos
Pra servirem à escravidão.
Daí porque, sem vontade,
Idéias de liberdade
Não têm sua aceitação.
De forma, como nas trevas
Não há visibilidade,
Também, na ignorância
Saber não há, na verdade…
E é difícil sem o saber
Um povo reconhecer
O valor da liberdade.
Convivemos em cavernas
Piores que a de Platão,
Sofisticadas, modernas,
Que alienam o cidadão
Sem que ele sinta o destroço
Da corrente no pescoço
Nem do peso do grilhão.”
Medeiros Braga
Trecho de um Cordel de 70 estrofes minha autoria.
Medeiros Braga