cpfl cultura e Fonteiras do Pensamento entrevistam Zygmunt Bauman e público define os assuntos
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor de dezenas de livros (entre eles, Modernidade Líquida) e forte influência para grandes pensadores contemporâneos, concederá uma entrevista exclusiva à equipe da cpfl cultura em julho. Abrimos este espaço abaixo, na caixa de comentários, para contribuições sobre os assuntos que poderíamos tratar com ele, e recebemos dezenas de contribuições. Muito obrigado pela participação.
As sugestões que foram feitas até o dia 20 de julho foram selecionadas e levadas para a entrevista; hoje, dia 22, as equipes da cpfl cultura e do programa Fronteiras do Pensamento estão na Inglaterra para a conversa com o autor. O vídeo poderá ser transmitido como um café filosófico cpfl especial na TV Cultura, e trechos estarão disponíveis aqui no site – mas ainda sem data definida.
Bauman foi convidado a participar da edição de 2011 do programa Fronteiras do Pensamento.
As questões levantadas pelo público da cpfl cultura melhoram a qualidade dessa rara oportunidade de interagir com um dos principais pensadores do mundo contemporâneo.
Obrigado novamente pelas contribuições.
UPDATE: [devido à entrevista já ter ocorrido, encerramos as contribuições neste post]
Categorias: Notícias
Tags: , contemporâneo, líquido
Como enfatisar esse momento da vida para se esquecer da morte?
A vida se empurra com a barriga? Ou em holografias, com ou sem consciência?
O tempo não nos dá conta do tempo que procuramos para viver.
Onde encontrar sabedoria nessa modernidade para viver o tempo livre? Como voar suavemente sem a velocidade peculiar de nosso tempo?
O stress está sempre nos rondando a mente, após a praia num findi ou uma noite de amor.
Ver , ver e ver. Inundações de imagens, sufoco de ilustrações, espetáculos.
O que nos diz ou toca nossos sentidos esse mundo que passa diante de nós, em todos os lugares, instantâneo?
E o medo do vazio?
Tempo veloz, fluído.
Intangível e voraz.
Vivemos uma geração que se amolda ou é mutante.
Fazer, fazer, fazer, mais.
Será a velocidade um Deus?
Mundo da modernidade, como os líquidos, vamos nos caracterizando por uma incapacidade de manter a forma.
Zygmunt e o medo líquido, uma metáfora para compreender nosso mundo…Uma sociedade cada vez mais imediatista , o valor está onde não se toca. Onde encontrar a liberdade?
Entre o ontem e o hoje, líquido é algo que se adapta a forma de uma vasilha, do copo. Fluidez é o nosso tempo, ou leveza, leve.
Nada mais sólido, pesado rígido.Ford.
Hoje Bills Gates.
A leveza do dinheiro e não das tradições, territórios , ostentações.
Valores e a temperatura ambiente mudam a todo momento. E ao mesmo tempo.
Hoje o poder é leve e se esconde, não se sabe de onde vem, quem é, onde ele está.
É o dono da marca, fluída.
“A comunicação não é mais pós moderna, mas líquida e nela conceitos e interesses se amoldam ao sabor das ondas aos altos e baixos e às discrepâncias das profundezas para exibir uma superfície plana, que cobre extensivamente todo o planeta com seu abraço afago”.(Zygmunt Bauman). O Poder do Mercado.
O quê a Mídia nos esconde? Nos mostra?
È nebulosa e ativa, presente e invisível, predominante e ambígua.
Onipresente, onisciente ou onipotente? Sempre complexa.
Consumo líquidos velozes e virtuais. Compulsivamente. Desejo a MARCA, já que ela “é mais que o produto”. Serei doentio? Me escondo de um possível vazio?
Ritmo acelerado, tempo se torna escasso. Quero meu espaço.
Como viver nessa dicotomia entre o ócio saudável e a frenesi da produtividade que me é exigida ?
Instituições, referências estilos de vida mudam antes que tenham tempo de se solidificarem; costumes, hábitos e verdade ‘auto-evidentes’ .
Como voar como a leveza da borboleta na nossa mente e espírito sem o stress coagulado da modernidade no coração ?
Gostaria de ouvi-lo falar sobre a solidão na modernidade.A solidão é uma condição humana ou é algo forjado nas relaçãoes sociais de um mundo individualista?
A mídia é a ferramenta sine qua non para a transformação dos valores sociais. Seria a mídia também, a maior responsável pela extinção desses valores?
GOSTARIA DE SABER DO BAUMAN O QUE ELE ACHA DA IDÉIA DE HIPERMODERNIDADE DE GILES LIPOVETSKY?
Atualmente, muitos movimentos sociais são regidos pela lógica de mercado, contraditória às causas que defendem, teoricamente. O mesmo vale para muitas produções científicas, financiadas por agências que têm suas próprias agendas. Perdeu-se a dimensão ética da prática social, e da sociológica, no século XXI?
A velocidade de mudanças na modernidade líquida compromete as construções coletivas de longo prazo, como por exemplo as políticas públicas, que levam anos para se consolidar?
Gostaria de saber a opinião de Bauman sobre a proclamação de Slavoj Zizek sobre a necessidade urgente de uma nova experiência política para o Ocidente (que não esteja limitada ao ufanismo triunfalista da democracia liberal capitalista)e a relação que podemos inferir da “comunidade que vem” de Giorgio Agamben como uma possibilidade para preencher esta lacuna social apontada por ZIzek.
Na sua opinião, quais as vantagens da modernidade líquida. uma vez que ela se instalou tão avassaladoramente?
Será que o preço de uma pessoa é medido pela Marca que usa, e não pela sua inteligência que têm? Hojé, para entrar num grupo social, para sermos reconhecidos, temos que está na Moda, cujá é dimensionada pela Mídia?
Relações líquida
Gostaria de ouvi-lô sobre o medo na sociedade contemporânea.
Juventude e expectativa de vida, qual o significado da existência para uma geração que da qual sempre é forjada a sempre ser cópia de seus ídolos? Liberdade humana, que sentido tem a liberdade nas relações institucionais, sendo tal dimensão intrínseca do nosso ser? Projeto de vida, é possível assumir uma subjetividade criativa, que faça o indivíduo ir ao encontro de sua própria realização como um ser que atua, age, ser-no-mundo?
O hedonismo é uma mal-estar civilizatório?
Qual o papel do Direito no mundo da modernidade líquida? Como saber o que considerar correto e justo numa sociedade amorfa e em constante transformação?
O termo “sociedade líquida” descreve brilhantemente a transição pela qual passa a mecânica do comportamento social de hoje. Seria possível vislumbrar uma transição da sociedade líquida para a sociedade “aeriforme” ?
Poderemos nos livrar da crítica baseada na fragilidade igualitária – especialmente no ambito eonomico quando se fala de “dominados”, por exemplo, palavra que carrega uma forte conotação de fragilidade que é quase que inerente aos trabalhadores – e passar à crítica baseada na força da diferença e na afirmação dessa força?
Gostaria de ouvir o que ele pensa a respeito das pessoas que se reificam, do corpo como capital e do fato de sermos esmagados pela vida cotidiana e pelo excesso.
Gostaria de ouvir o que ele pensa a respeito das pessoas que se reificam, do corpo como capital e do fato de sermos esmagados pela vida cotidiana e pelo excesso (de informação, de obrigação de atividade…).
E mais uma pergunta: Existe individualidade no mundo moderno?
Sugiro que Bauman fale um pouco sobre a posição do professor de Ensino Básico, como profissional diluído na sociedade líquida, ou seja,à procura de um caminho para formar pessoas sólidas e que consigam interpretar a sociedade posta.
Um assunto interessante seria sobre a influencia da religiao ou de qualquer ideologia mistica ou transcedental que o ser humano tem desde os tempos primordios e porque ele necessita tanto da crença em algo superior e inexplicavel.
Essa modernidade presente é ausente num grande segmento da sociedade, quer esteja ela em países desenvolvidos, emergentes e muito menos ainda na África, parte da Ásia. O Bauman fal da perda hoje muito rápida da valorização de atitudes para a vida, a consistência cada vez mais forte do Capitalismo, embora com seus cismas ciclicos, mas está presente no dia a dia do mundo. Como quebrar essa corrente e criarmos uma nova sociedade já que a modernidade criou caminhos para tal? Por que o mundo não desperta para essa mudança embora haja manifestações mas que não se concretizam em atos de mudança para o bem coletivo?
Em modernidade e Holocausto Bauman referiu-se aos “estranhos” que sofreram todo tipo de humilhação, na pós-modernidade quem seriam esses “estranhos”? Como evitar a intolerância que surge como uma proliferação nos dias atuais? O mal-estar da pós-modernidade lhe atinge em quais circunstâncias?Através das pesquisas e argumentações sobre a sociologia, como você definiria seu trabalho e qual dos seus livros teve papel fundamental na sua carreira?
Comente sobre a modernidade liquida e amor liquido, como esse termo “liquido” entrou no seu trabalho e as influências que causaram em outros autores? Por que o ser humano vive nessa ambiguidade de liberdade e segurança, paralisando suas ações e vivenciando um conflito interno? Como manter os valores morais e sociais numa sociedade onde tudo é descartado?
Quando leio os textos do Bauman sempre fico com a impressão que ele está escrevendo para uma sociedade capitalista do primeiro mundo. Quando viajo para estas sociedades, minha percepção é reforçada.
Aqui no Brasil tenho a impressão que os tempos líquidos aos poucos estão sendo incorporados pelo modo de vida de algumas classes sociais. Porém vejo que ainda temos particularidades, principalmente um modo de vida mais aberto, livre e alegre que anula algumas aspectos da vida líquida.
Gostaria de saber do Bauman. Suas idéias se aplicam às sociedades dos países em desenvolvimento? Como ele vê as chances da sociedade brasileira em driblar esta liquidez da vida e propor uma outra forma de arranjo social moderno?
Gostaria de ouvi-lo falar sobre o futuro da sociedade atual perante os valores morais, visto que a vida cotidiana nos esmaga, impossibilitando-nos de refletir sobre nossas ações e nossas vidas. Qual o impacto que a rotina têm nas pessoas?
Gostaria de ouvi-lo falar sobre a paixão e sobre a arte…
Seria interessante por parte do autor uma associação do conceito de modernidade líquida com o mais recente colapso das estruturas econômicas nos países europeus.
Gostaria de perguntar se o Bauman acredita que os movimentos ambientalistas juntamente com a ideia de desenvolvimento sustentável poderiam indicar novos valores que sirvam de base para um novo projeto de sociedade centrado nas consequências coletivas de sua produção e consumo, logo, mais solidária e consciente?
Os valores que Bauman parece defender são de matriz kantiana. Por isso, gostaria de ouvir ele falar algo a respeito de Nietzsche e sua visão da política.
Gostaria de saber se Bauman acredita que a Modernidade Líquida consolidará os Direitos Humanos Universais e se isso será algo bom para toda a humanidade ou se extinguirá a subjetividade ou a cultura, por exemplo.
Gostaria que ele falasse um pouco sobre os relacionamentos líquidos tão constantes e instáveis dessa nova sociedade líquida que vivemos….e como sobreviver em uma sociedade líquida frente a valores sólidos?
Gostaria que ele comentasse sobre as possibilidades que a sociedade da informação, em sua liquidez, dá possibilidades para o indivíduo buscar sua identidade e as possibilidades de organização política.
Seria muito bacana se ele falasse um pouco a respeito de seu conceito de “aptidão corporal” e a influência deste na transformação das concepções contemporâneas sobre o envelhecimento. Obrigado.
É necessário ao pensamento contemporâneo evidenciar a modernidade como em crise paradigmática para só depois pensar questões contemporâneas e afirmar valores atuais, como o valor da vida para todas as pessoas, por exemplo, negado pela modernidade? O pensamento contemporâneo que não parte deste pressuposto – de denunciar a modernidade – corre o risco de cair em um “abstracionismo”? Obrigado e um abraço filosófico.
O que se passa por verdade na liquidez dos conceitos modernos, em que tudo é e deixa de ser através de uma velocidade tão maior?
Isso tem deixado muitas cabeças dessa geração confusa. É uma busca vã. Quando acreditamos encontrá-la, já se foi. O homem já teve certezas maiores na vida, ainda que erradas. Hoje é muito mais nítido esse conflito de verdades dentro de uma mesma geração, quando o comum era desconstruir valores de um passado mais distante. O mais difícil é acreditar que existe assim alguma verdade nessa modernidade descartável e ambígua.
O homem moderno necessita escolher ser algo nesta liquidez, ou se perder e renovar a cada dia?
Gostaria que ele falasse sobre a aceleração do tempo na pós-modernidade e a fraqueza dos vínculos, deste mesmo período vigente.
Gostaria de saber se o ponto de partida de Bauman tem relação direta com Heráclito e, se ele concorda que os ultimos avanços da ciência se concentram mais(ou tão somente) na Física dos sólidos.
Caro Bauman, qual é seu prato favorito?