Música erudita - Aventuras a quatro

Música erudita - Aventuras a quatro

Sete compositores de diferentes tendências e diretrizes estéticas se reuniram em 1998 para divulgar sua música e a música erudita contemporânea em recitais e palestras. Com dez anos de atividades no Rio de Janeiro, os membros do Prelúdio 21 compõem no calor do momento, criando com data marcada, em direta relação com os intérpretes. Para estes concertos, compuseram peças para quarteto de cordas, a serem estreadas pelo Quarteto Radamés Gnattali. Em seu Quarteto brasileiro nº 2, Sergio Roberto de Oliveira dá continuidade a uma série de homenagens a artistas brasileiros que discutiram a questão nacional em sua arte. Bolha, de Neder Nassaro, apresenta uma escrita pouco determinista, o que permite aos intérpretes explorar sua capacidade criativa. Móbile, de Alexandre Schubert, consta de quatro movimentos contrastantes partindo de elementos seriais, sobre bases rítmicas diversas. Interferências, de J. Orlando Alves, explora basicamente o recurso textural da sobreposição de camadas sonoras, com breves interferências entre elas. As sonoridades luminosas de Força e Luz, de Caio Senna, espelham uma visão otimista da vida. Em +C-, Heber Schünemann envereda pelo universo do intervalo microtonal desta altura, utilizando os diferentes recursos técnicos de um quarteto de cordas. Em um movimento contínuo, o String Quartet de Marcos Lucas expõe texturas e timbres característicos da moderna literatura para quarteto.

Apresentação do módulo "Música de câmara no Rio hoje", do curador Clóvis Marques

Um viveiro de tendências
"Um convívio estreito entre compositores e intérpretes, a variedade das tendências e a liberdade de criação são alguns dos pontos em comum entre os músicos reunidos nesta mostra representativa do que se tem feito em matéria de música de câmara no Rio de Janeiro nos últimos anos, acrescida de um olhar nostálgico na direção de César Guerra-Peixe (1914-1993). Muitos dos artistas que aqui tocam e mostram suas criações estão na estrada há bastante tempo. Outros chegaram mais recentemente. Juntos, eles nos oferecem músicas afeitas à curiosidade dos timbres e ao risco das combinações instrumentais; músicas que enveredam pela vocalidade e a teatralidade; músicas em que a exploração das texturas co-habita com espaços de improvisação do intérprete ou a investigação de possibilidades seriais, permeando com os ares do jazz, do choro ou do musical as formas européias clássicas. Música de câmara na sua definição mais essencial: o prazer de produzir juntos, em pequeno grupo, sem amarras mas buscando a comunicação"
Clóvis Marques

Sergio Roberto de Oliveira: Quarteto brasileiro nº 2
Neder Nassaro: Bolha
Alexandre Schubert: Móbile
J. Orlando Alves: Interferências
Caio Senna: Força e Luz
Heber Schünemann: +C-
Marcos Lucas: String Quartet


Quarteto Radamés Gnattali:
Carla Rincón, violino
João Carlos Ferreira, violino
Fernando Thebaldi, viola
Paulo Santoro, violoncelo

Alexandre Schubert
Com mestrado e bacharelado em Composição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alexandre Schubert obteve onze prêmios de composição em concursos nacionais, entre eles a primeira colocação no Concurso de Composição para Percussão – PAS Brazil Chapter, com a obra Movimentos, para marimba e três percussionistas. Com um catálogo de mais de oitenta composições, teve obras suas como Instantes, para violão, o quinteto de metais ...das esferas, Mensagem, para piano, e a Sinfonia Festiva apresentadas em Roma, Berlim, Nova York, São Petersburgo e no festival World Music Day, realizado pela Sociedade Internacional de Música Contemporânea na Suíça. Participante de eventos como as Bienais de Música Brasileira Contemporânea e os Panoramas da Música Brasileira Atual (RJ), o Festival Música Nova de Santos e São Paulo (SP) e a Mostra de Música Contemporânea de Ouro Preto (MG), Alexandre Schubert é responsável pelas classes de Arranjo, Instrumentação e Orquestração, História da Música e Morfologia na Escola de Música Villa-Lobos e professor dos Seminários de Música Pró-Arte, no Rio de Janeiro.

Caio Senna
Natural de São Paulo, Caio Senna é bacharel em Composição pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também obteve o título de Mestre em Composição. Hoje professor no Departamento de Composição e Regência do Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), seu catálogo de composições contém uma centena de obras para as mais variadas formações, com ênfase na música vocal solista e coral e música de câmara em formações pouco convencionais. Suas obras têm sido executadas e gravadas por intérpretes como a soprano Ruth Staerke, o tenor José Paulo Bernardes, o barítono Inácio de Nonno, a cravista Rosana Lanzelotte, a Camerata Novo Horizonte de São Paulo e o grupo Música Nova do Rio de Janeiro. São ouvidas regularmente em mostras como a Bienal de Música Contemporânea e o Panorama da Música Brasileira Contemporânea (RJ), o Encontro de Compositores Latino-americanos (RS) e o Encontro de Compositores e Intérpretes Latino-americanos (MG). Em abril de 2000, o compositor lançou o CD “Primeiro diálogo” pelo selo UNIRIO.

Heber Schünemann
Pós-graduado em Música para Cinema e bacharel em piano pelo Conservatório Brasileiro de Música, Heber Schünemann foi bolsista do CNPq no Projeto de Recuperação de Música Sacra Colonial Brasileira. Obteve a terceira colocação no Concurso Nacional de Composição da Funarte em 2001, categoria instrumento solo, com a obra 0,3103 para oboé. Participante das XII, XIV e XVI Bienais de Música Brasileira Contemporânea, dos XIX, XXI e XXIV Panoramas da Música Atual Brasileira, do Projeto Música no Fórum – UFRJ e das Cenas da Música Contemporânea I e II, teve suas Peças para Piano I-IV apresentadas na França e na Alemanha em 2006. Em 2003 foi lançado o CD “Tasto - dois compositores ao piano”, do qual participou com a obra Aqua. Chefe do Arquivo Musical do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, leciona Composição, Música Experimental e Informática Aplicada à Música no curso de graduação do Conservatório Brasileiro de Música, no Rio.

J. Orlando Alves
Natural de Lavras (MG), estudou Composição Musical Na UFRJ com Pauxy Gentil-Nunes e fez Mestrado em Composição na mesma instituição com Marisa Rezende. Participou dos Panoramas da Música Brasileira Atual de 1994 a 1998 e das Bienais da Música Brasileira Contemporânea de 1997 e 2001. Suas obras Pantomimas, para clarineta e fagote, e Quinctus, para quinteto de sopros, obtiveram respectivamente o 1º lugar na categoria duos e o 2º lugar na categoria quintetos no Primeiro Concurso Funarte de Composição. Em 2002, ingressou no Doutorado em Composição na Unicamp, sob a orientação de Jônatas Manzolli. Participou em 2001 do Encontro de Compositores e Intérpretes Latino-americanos realizado em Belo Horizonte. Dentre suas obras, destacam-se a Pequena suíte brasileira para orquestra sinfônica, o Concertino para oboé e orquestra de cordas, o Quinteto (dedicado ao Grupo Música Nova), a Sonata para piano e a Fantasia para metais e piano.

Marcos Lucas
Formado em Composição e Educação Musical pela UNIRIO, defendeu em 1994 a tese de mestrado “Textura na música do século XX”, na Escola de Música da UFRJ. Entre 1995 e 1999 realizou, como bolsista da Capes, PhD em Composição Musical na Universidade de Manchester, Inglaterra, onde também estudou com os compositores John Woolrich, Thomas Adès, Jonathan Harvey, Judith Weir, Ian Wilson e Michael Alcorn. Em 1999, seu septeto A Vision of Sulis foi apresentado em Glasgow e Edimburgo pelo Paragon Ensemble Scotland. Em 2001, seu melodrama Inferno verde, para barítono e orquestra de câmara, foi apresentado no Queen Elisabeth Hall de Londres pela London Sinfonietta e o barítono Richard Chew. Entre os prêmios recebidos estão 2º lugar no Procter Gregg Award, pelo quarteto Distant Tunes para flauta, clarineta, viola e harpa (1997), e o 1º Prêmio no VI Concurso Nacional Funarte de Composição, categoria orquestra sinfônica (2001), pela obra The Sleep of Reason. Em 2006, Dun Aengus, para violino e violoncelo, foi incluída em turnê do Pierrot Lunaire Ensemble de Viena por 23 cidades ao redor do mundo. Sua ópera O pescador e sua alma estreou em 2006 no CCBB de Brasília. Marcos Lucas é professor de Composição, Harmonia, Análise e Música de Câmara na UNIRIO, onde dirige o Grupo Novo.

Neder Nassaro
Natural de Teresópolis (1961), estudou composição com Guerra-Peixe, Dawid Korenchendler, Ricardo Tacuchian, Vânia Dantas Leite e Rodrigo Cicchelli Velloso. Graduou-se em composição na UNIRIO e fez mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolveu pesquisa sobre a composição de música mista. Nassaro tem apresentado suas obras em eventos como o 4º Encontro de Compositores e Intérpretes Latino-Americanos (2002), a série Música Brasileira do Século Passado (2001), as X, XII e XIV Bienais de Música Brasileira Contemporânea, os XV, XIX e XX Panoramas da Música Brasileira Atual e o programa Música Brasileira Eletroacústica da série Brasiliana da Academia Brasileira de Música. Obteve o primeiro lugar no 6º Concurso Nacional de Música IBEU, em 2002, com a obra Gestos elípticos para quarteto com piano. Participou em 2000 do CD “Estúdio de Música Eletroacústica” do Instituto Villa-Lobos, com a obra Fluências; e, em 2002, do CD “Música Eletroacústica na Escola de Música - Mestrado da Escola de Música da UFRJ”, com a obra Concreto armado para voz e eletrônica.

Sergio Roberto de Oliveira
Formado em Composição pela UNIRIO, tem recebido encomendas de músicos como Laura Rónai, Nicolas Souza Barros, Trio Syrnx, Tom Moore, Tracy Richardson e Lisa Brooke. Suas obras têm sido apresentadas na Bienal de Música Contemporânea, no Panorama da Música Brasileira Atual e no Composers’ Ensemble at Princeton. Sua Suíte para cordas (1995) foi premiada no II Concurso Nacional de Composição Cidade do Rio de Janeiro, promovido pela Rio-Arte, e Circus Brasilis (1999) foi gravada num CD ao lado de obras de compositores da Princeton University. Viaja regularmente aos Estados Unidos para concertos e palestras, entre os quais destacam-se o concerto de estréia de A Linha e o ponto (Boston, 2003, em promoção da Handel and Haydn Society) e palestras na Princeton University, na Music Library Association e no College of New Jersey. A revista americana The Flutist Quarterly dedicou-lhe sete páginas no artigo “Circus Brasilis – The Flute Music of Sergio Roberto de Oliveira”. O CD “Sem espera”, do selo A Casa Discos, contém obras suas para flauta.

Quarteto Radamés Gnattali
Transitando entre o repertório internacional e a difusão da música brasileira, o Quarteto Radamés Gnattali tem tocado em São Paulo, Brasília e no Festival Internacional de Inverno de Domingos Martins, além de se apresentar nas principais salas de concerto do Rio de Janeiro. Solista da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo no Concerto para quarteto de cordas e orquestra de Radamés Gnattali, executou em primeira audição obras a ele dedicadas por compositores brasileiros. Em 2008, teve seu CD “Quadro Brasil” (Selo Rádio MEC), com obras de Gnattali, Cláudio Santoro, Camargo Guarnieri e Villa-Lobos, elogiado na revista britânica The Strad. A convite do Museu Villa-Lobos, participa anualmente dos Festivais Villa-Lobos no Rio de Janeiro, e em 2009 apresenta a integral de seus quartetos. Por iniciativa da Funarte, o Quarteto Radamés Gnattali desenvolve atividades pedagógicas em escolas do Rio de Janeiro. Com o apoio da Votorantim, realiza em 2009 quinze concertos didáticos nos estados do Piauí, Acre e Mato Grosso. Em 2007, realizou uma turnê de concertos e oficinas em cidades dos Estados Unidos, a convite da Universidade Estadual da Califórnia, e na temporada de 2009 vem-se apresentando em Nova York, Budapeste, Helsinque, Porto, Buenos Aires, Assunção, Maputo, Pretória, Cidade do Cabo e Luanda.

O curador
Clóvis Marques é jornalista especializado em música clássica. Colaborador de periódicos como Jornal do Brasil, O Globo, Veredas e VivaMúsica!, autor de textos de programas de orquestras e salas de concerto no Rio e em São Paulo, escreve atualmente na revista Concerto (SP) e no site www.opiniaoenoticia.com.br. Publicou Mario Tavares, uma vida para a música (Funarte, 2001) e Sala Cecília Meireles, 40 anos de música (Funarj, 2006). Lança este ano pela editora Civilização Brasileira a coletânea de críticas e reportagens A Música falada.

+ CPFL Cultura retoma música erudita em São Paulo

Serviço:

Horário do espetáculo: 20h30
Ingresso: distribuição de ingressos gratuitos a partir das 19horas na bilheteria. 2 ingressos por pessoa.
Telefone para informações: (11)3258-3344
Classificação: 8 anos
Endereço:
Cultura Artística Itaim - Avenida Juscelino Kubitschek, 1.830.
Disponibilidade: 200 ingressos

Data: 
04/08/2009
Hora: 
20:30
CPFL Energia