Teatro – Duas cadeiras e uma paixão
Duas cadeiras e uma paixão tem inspiração no seguinte pensamento de William Shakespeare: “para se fazer teatro, bastam duas tábuas e uma paixão”. O espetáculo é baseado em quatro textos curtos de autores clássicos da dramaturgia mundial: As preciosas ridículas, de Molière (representante do teatro clássico francês); O urso, de Anton Tchékov (representante do teatro de costumes); A máquina escolar, com base nas adaptações de Ghilardi sobre obra de Ionesco (representante do teatro do absurdo) e Duas versões para a mesma história, extraído das obras de Brecht (representante do teatro moderno). Para encenar esses textos foram abolidos os cenários, sintetizados por apenas duas cadeiras.
Referências
As preciosas ridículas
Adaptado da obra de Jean Baptiste Poquelin – Molière
O Teatro clássico francês do século XVII teve em Molière, dramaturgo, ator e encenador, um dos seus maiores expoentes. Ele foi o criador da fina comédia de sociedade, psicológica e satírica e teve um papel de absoluta importância na dramaturgia francesa. É dele o lema “ridendo castigat mores” ou, “rindo se corrigem os hábitos”. Em as “Preciosas Ridículas” Molière critica os costumes de sua época, através da história de duas moças burguesas, Catarina e Magdalena, provincianas recém chegadas a Paris, que se preocupam exageradamente com a aparência e que vivem imitando, em todos os sentidos, as damas dos salões da capital francesa, mulheres socialmente superiores a elas. Para fingir serem parte dessa elite, as duas chamam a si mesmas de Charlote e Marie Antoniette e aguardam que membros da corte as venham conquistar. Seus namorados decidem aplicar-lhes uma lição, vestindo seus criados como nobres e mandando-os cortejar as afetadas senhoritas. No devido tempo, chegam os namorados e elas são desmascaradas.
O Urso
Adaptado da obra de Anton Pavlovitch Tchékov
No teatro realista o herói romântico é trocado por personagens do dia-a-dia e os problemas sociais são discutidos em cena, através de uma linguagem comum ao povo. O primeiro representante desta fase, nos idos dos 1800, foi o dramaturgo francês Alexandre Dumas, autor de “A Dama das Camélias”, cujo tema dominante é a prostituição. Gorki, Hauptmann, Ibsen também foram mestres nesse estilo dramatúrgico e Anton Tchékov, autor, dentre outros de “A Gaivota”, “O Jardim das Cerejeiras”, “As Três Irmãs” e, “O Urso”, comédia de costumes, ou vaudevilles, como ele gostava de chamá-las, escolhida para integrar este espetáculo. Eliena Ivánovna Popova, viúva há sete meses, leva uma vida solitária, procurando fazer de sua casa – muito mais para satisfazer à sociedade em que vive do que para ela própria, um local de recolhimento, para lembrar permanentemente do não tão amado marido e para “provar a ele como ainda é capaz de amá-lo.” Sua única companhia é seu mordomo, o fiel Luká, que, por saber que tudo aquilo não passa de um grande teatro, procura convencer sua patroa a sair do “convento” em que vive, tirar o luto e ir a busca de novos pretendentes, que possam dar um novo alento a toda aquela ensaiada tristeza. Com a visita inesperada de um credor do seu marido, que vem cobrar antiga dívida, tudo muda e o visitante desconhecido consegue quebrar a tranqüilidade daquela casa e receber muito mais, do que o simples objeto da cobrança.
A máquina escolar
Adaptação inspirada nas obras de Eugène Ionesco.
O teatro do absurdo tem como foco principal o tratamento da realidade de forma inusitada. Utiliza para a criação do enredo, das personagens e do diálogo, elementos chocantes e ilógicos, com o objetivo de reproduzir a falta de juízo do homem e da sociedade, revelando, de maneira irônica, o inusitado e mostrando a má reputação do ser humano e tudo de errado que é considerado normal pela sociedade hipócrita. Os textos desse tipo de teatro revelam o real como se fosse irreal, intensificando as neuroses e as loucuras das personagens. Ionesco, um dos mestres do absurdo dizia: “Sendo o cômico a intuição do absurdo, ele me parece mais desesperador do que o trágico”. Com divertidas e absurdas cenas mostra o cotidiano de uma escola, os métodos de ensino, seus autoritários professores e a passividade dos alunos.
Duas versões para a mesma história
Adaptação inspirada nas obras de Bertolt Brecht e em um conto japonês
O teatro do século XX caracterizou-se pela quebra de antigas tradições e as concepções de Bertolt Brecht, foram as que mais influenciaram o teatro moderno. Segundo ele o ator deve estar sempre consciente de que está atuando e que jamais poderá emprestar sua personalidade ao personagem que representa. A mensagem social da peça deve ser o principal objeto de interesse dos espectadores. Para isso eles deverão ser constantemente lembrados de que estão num teatro, assistindo a um ator que narra a vida de alguém e que, portanto, não devem identificá-lo como figura da vida real, nem se envolver emocionalmente com ele, o que prejudicaria o entendimento do texto e a sua possibilidade de criticar e julgar o que está sendo narrado. O texto apresentado, que fala sobre a importância da reflexão e de como o ser humano se comporta diante de determinadas circunstâncias, apresenta duas situações extremas, mas com desfechos diferentes em função das reações das pessoas envolvidas.
Sobre a Cia. CPFL de Teatro
A Cia. CPFL de Teatro foi criada em 2003, com o objetivo de reunir colaboradores da CPFL Energia interessados em buscar uma identidade com as artes cênicas. Para viabilizar esta iniciativa e formar o grupo de teatro amador da empresa, as dependências da cpfl cultura em Campinas foram oferecidas para viabilizar um organizado programa de oficinas e ensaios, coordenado pelo reconhecido diretor teatral Abílio Guedes. As apresentações da Cia. CPFL de Teatro – que desde 2009 passa a ser aberta a participação do público em geral – ocorrem em diversas cidades da área de atuação da empresa. No repertório da Cia estão as montagens: Lisístrata (2004), de Aristófanes; Retiro dos Sonhos (2005), de Marici Salomão, No Natal a gente vem te buscar (2007), de Naum Alves de Souza, e Brasil S.A. (2008), de Antônio Ermírio de Moraes.
Texto do diretor:
O espetáculo recebeu o nome de Duas cadeiras e uma paixão a fim de parodiar Shakespeare na sua concepção do que é teatro: “duas tábuas e uma paixão”. Tendo sido formado por colaboradores da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL Energia), um segundo núcleo de atores do seu conjunto teatral, alguns com pouca experiência cênica, optou-se pela montagem de quatro textos, adaptados de peças de destaque Na dramaturgia mundial.
Foram colocadas sobre as tábuas do palco, duas simples cadeiras, com o objetivo de torná-las apoio cênico para as diversas ações dos personagens. O espetáculo é totalmente despojado de cenografia e figurinos.
Além do objetivo primeiro de mostrar o trabalho ao público interno e externo da CPFL, a concepção do espetáculo abrange quatro textos de épocas distintas. A meta é propiciar aos atores o conhecimento de diferentes estilos de dramaturgia e de representação, quais sejam: o exagero do teatro clássico francês, a forma realista de interpretação, o ridículo dos personagens no teatro do absurdo e o frio distanciamento do teatro modernista.
Embora um trabalho difícil, a diversidade de estilos propicia um excelente treinamento para o ator, que terá a oportunidade, em um único espetáculo, de experimentar possibilidades para a criação, composição e interpretação de papéis.
Prosseguindo com a mesma linha de montagem iniciada com No natal a gente vem te buscar, realização da Companhia CPFL de Teatro, em 2007, seguida de “Brasil S.A.”, produzida em 2008, este espetáculo tem por meta enfatizar a interpretação do ator, através de uma concepção cênica despojada de cenários – apenas duas cadeiras – e através dos diálogos: objetivo primeiro da direção, a par de mostrar ao espectador quatro diferentes estilos de teatro.
Um novo e encorajador desafio para os colaboradores integrantes do segundo núcleo da Companhia CPFL de Teatro, uma vez que este tipo de montagem – desnudamento cênico, e as variáveis estruturas cênicas – exigirá deles redobrada força de interpretação.
Elenco:
Alice Balsas;
Douglas Rezende;
Jorge Bichara;
Juliana Oliveira;
Márcia Emília;
Paulinho Santos;
Rafael Santin.
Ficha técnica:
Abílio Guedes: direção;
Valtinho Froldi: assistente de direção e operação de som;
Washington Lima: desenho e operação de luz;
Adriana Camargo Canguçu: produção executiva;
Márcia Emília: secretária executiva;
Produção visual: Gad Desing;
Fotos: Rodrigo Cancela.
Serviço:
Duas cadeiras e uma paixão, com Cia. CPFL de Teatro
14 novembro (domingo) 19h – apresentação aberta ao público
Entrada: por ordem de chegada;
Abertura: 01 hora antes do espetáculo.
Teatro Dona Zenaide Rua Alfredo Bueno, 1151 –Centro – Jaguariúna
Capacidade: 379 lugares
(19) 3867.2404
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